sábado, 15 de agosto de 2020

A Vida dos Sacos.

Como tantas outros dias, hoje fui às compras. Parei na peixaria. Todos os meus pedidos foram colocados individualmente dentro de dois sacos.


2 postas de salmão no fundo dum saco, saco atado e metido dentro de outro saco. 4 postas de peixe espada no fundo dum saco, saco atado e metido dentro de outro saco.

... Já me estava a fazer confusão; porque raio preciso de dois sacos para trazer umas postas de peixe? não poderia vir tudo no mesmo? Mas como se não bastasse não era um, eram dois para cada tipo de peixe.

Os dois últimos pedidos foram 6 carapaus e duas sardinhas.

Já cansada de ver tanto saco gasto desnecessariamente, virei-me para a senhora e disse-lhe que podia por as sardinhas junto com os carapaus.

Foi o mesmo que estar calada...a senhora colocou os carapaus no fundo de um saco, atou-o e meteu o saco atado dentro de outro. Depois pegou em duas sardinhas, meteu-as no fundo dum saco, atou-o e meteu o saco atado dentro de outro.


Para que precisamos de 2 sacos para levar um peixe para casa?

A questão não é o plástico, é o uso que fazemos dele!

Como nem sempre posso mudar o número de sacos que trago para casa decido o que posso fazer para minimizar os estragos.

Nestes casos decido usar os sacos: alguns para o lixo, outros lavo e volto a usar para as
compras onde posso levar sacos,... uso-os repetidamente até que se gastem.

Continuam a ser sacos de plástico mas pelo menos uso-os mais vezes, e não compro mais (por exemplo não compro sacos para o lixo).

E quando finalmente estiverem gastos deito-os no caixote apropriado.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Comida que vira lixo... Porquê?

A minha passagem pela zona de frutas e legumes é, com alguma frequência, desconfortável.

Desta vez foram as couves coração de boi. São muitas vezes estas couves.

Na foto talvez não se veja bem por causa da luz mas, as couves estavam bem frescas, provavelmente chegaram há pouco,... mas há tempo suficiente para que já lhe tenham tirado todas estas folhas.

Vou só tentar fazer uma explicação. As couves no geral costumam ter folhas verdes. E as folhas verdes das couves são comestíveis. 

É verdade que as couves de repolho, tem folhas quase brancas no centro mas naturalmente tem folhas verdes na parte exterior. E, repito, são comestíveis.

Porque será que as pessoas tiram as folhas verdes e transformam comida em lixo?

Será pela cor? Estavam couves, totalmente brancas mesmo ao lado.

Será porque as folhas exteriores podem ter um pouco de terra no caule? É possível lavar?

Será porque não sabem como cozinhar as folhas verdes? Nesse caso talvez seja melhor levar outra coisa... ou fazer uma pesquisa e encontrar formas de cozinhar..

Vou deixar uma alternativa a seguir.


Lavamos as couves antes de cortá-las. ou depois, tanto faz.

Podemos cortar as folhas em pedaços pequenos, tudo incluindo o troço, nestas couves é tudo tenro. 

Colocamos numa frigideira (Wok ou outra) alguns dentes de alho, azeite e uns pedaços de cebola picada.  Deixamos aquecer bem e juntamos as couves cortadas.
Juntamos pimenta moída e uns pedacinhos muito finos de gengibre frescos.

Movimentamos as couves, mexendo com uma colher de pau ou com a própria frigideira, até que fiquem salteadas.

Juntamos pedacinhos de broa e/ou algum feijão cozido.
Se quiser, em vez da broa e do feijão pode juntar às couves por exemplo; cenoura, courgete, tomate, pimento, cogumelos,... o que quiser.


domingo, 14 de junho de 2020

O lixo ou a horta?


A terra onde moro tem uma página no Facebook. 

Na verdade tem muitas, mas numa delas, todos os dias existem fotografias com grandes legendas políticas a reclamar da limpeza das ruas, dos caixotes do lixo, da falta de cuidado com o Jardim.

De fato,  muitas vezes  há muito lixo espalhado pelas ruas, de fato algumas vezes existe algum lixo junto dos caixotes do lixo, de fato algumas vezes os jardins estão a precisar de cuidado...

E porque será que há lixo, espalhado pelo chão, nas ruas desta linda terra? plásticos velhos, caixas vazias, embalagens de gelados e de chocolates, garrafas de plástico, folhas, agora máscaras,...

Porque será que há tanto lixo no chão? Quem sabe magia, obra do acaso,... se perguntarmos provavelmente ninguém deixou o lixo no chão...

Ou, talvez até tenhamos deitado, mas as entidades competentes tem obrigação de limpar... de cuidar... de fazer por nós...

E nós, o que podemos fazer? E nós o que estamos dispostos a fazer para além de apontar o que está mal? 

Todos vivemos aqui. Todos gostamos  dum espaço mais limpo e mais agradável. Será que não podemos ter o cuidado de deixar o lixo nos respetivos caixotes? será que custa assim tanto?

Estas duas fotos representam a minha rua. A minha rua como eu a encontrei, a minha rua como a encontro dia sim, sim.




Numa das fotos podemos ver um pedaço de terra ao abandono, sem nada. No outro para além do abandono sobressai o lixo. Na minha rua o cenário dos espaços com terra varia entre estas duas opções.

Fui olhando, dia a pós dia e decidi que poderia fazer alguma coisa.

Então um dia pequei num balde e fui por aí apanhar terra para colocar no espaço vazio, Passei na loja e trouxe sementes de rúcula e de manjericão. Passei no mercado e comprei alfaces para por, um regador e um sacho...

E meti mãos à obra.

As primeiras vezes que trabalhei neste mini pedaço de terra, as pessoas que passavam olhavam para mim com aquele ar... pouco ou nada me importei.

Fui regando, fui trazendo terra quando circulava por aí, fui à procura de estrume,... e a horta foi crescendo.

Comecei a comer a rúcula, a alface, e à medida que ia comendo ia semeando e plantando mais. Na época de menos calor esta mini-mini horta que eu cuido, deu alface, rúcula, couve, favas, tomate, manjericão, salsa, feijão verde,... Comprei uma mangueira para regar a partir da torneira de casa,... e o espaço acima tornou-se no espaço abaixo.



Hoje algumas pessoas que passam quando rego ou cuido, param e dão os parabéns, outras simplesmente olham.

Mas há uma coisa que persiste; o lixo. 

Já fiz uma vedação de canas para a horta mas todos os dias, antes de regar apanho lixo. Todos os dias há lixo! 

Nunca vi mais ninguém apanhar o lixo. Nem na horta nem em lado nenhum. Ah eu sei,... é suposto que os homens da Câmara vem apanhar o que nos largamos em qualquer lado... eu é que sou burra e apanho... 

Também nunca vi ninguém regar. Mas algumas pessoas levaram da mini mini horta que eu cuido, as melhores alfaces, os melhores tomates, os melhores pepinos. Quando eu não via, obviamente.

E se cada um de nós pudesse ajudar a apanhar lixo? E se pelo menos pudéssemos  não deixar no chão?

E se cada um de nós pudesse plantar uma planta e regá-la? Uma só!

Será que cada um destes espaços vazios se poderia tornar em algo melhor?

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Coitado do plástico!

 

Coitado do plástico, tenho pena dele!


O plástico foi considerado o maior inimigo do planeta. É ele o responsável pela morte dos animais, pela poluição dos oceanos,.... sei lá,... sei lá,... sei lá. O plásticos e os mais velhos que "assassinaram" o planeta.

Todos os jovens ( e não jovens) decidem fazer campanhas dizem eles, de salvação do planeta. E alguns até se orgulham de dizer que os pais deles foram os responsáveis pelo estado atual do planeta.

Tal qual, nem podia ser de outra forma. Já no tempo do Sócrates (o da Grécia) os jovens diziam que tudo o que os pais deles faziam estava errado, era coisa de velhos... por isso essa coisa da responsabilidade ser dos mais velhos, está velha!

Eu faço parte desses velhos e vou contar-vos duas ou três coisas. Poucas que o tempo é muito valioso.

Em minha casa nenhuma comida vai para o lixo, nem a que sobra, nem a que eu não gosto. Há sempre algo que posso fazer com os restos,... com as cascas, com aquilo que muita gente chama lixo. E se não gosto não compro, ou compro menos quantidade. E muito menos essa coisa de; isto não gosto que tem gordura, aquela porque é um nadinha rija, a outra porque tem espinhas,... tanta gente a passar fome,...

Não compro refrigerantes e muito menos pacotes individuais. Não compro garrafas de água para beber quando tenho na torneira água potável.

Não compro roupa nem sapatos nem malas, nem .... todos os anos quanto mais várias em todas as estações. Uso-as enquanto estão boas e quando não estão adapto.

Não compro sacos para por o lixo, porque aproveito os sacos de outras coisas. Não mudo de carro de 2 em 2 anos nem sequer de 5 em 5, nem sequer de 10 em 10, nem tenho um carro de alta gama. Ah e já agora ando muita vez a pé.

Só tenho uma televisão, com mais de dez anos e também só tenho um telemóvel também com vários anos.

Uso a água de lavar legumes para as plantas ou para a casa de banho.

E já agora, não deixo lixo no meio do chão, não atiro pontas de cigarros para o chão (é fácil que não fumo), não deixo as garrafas de cerveja no meio da rua, não atiro lixo da janela do carro, não deixo o cócó do cão no meio do jardim, não...

E sim, eu sou responsável pela poluição. Apesar de tudo isso existem coisas que não posso evitar, tenho que me vestir, uso carro, como, gasto energia,... e claro que acho que todos devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance.

Mas sejamos razoáveis e coerentes. Fazer manifestações e mais 500 mil coisas daquelas que dá para aparecer nos telejornais e esquecer tudo o resto,... é no mínimo estranho

Esta questão do planeta que tanto se fala está um bocado equivocada. Não é necessário fazer guerra ao plástico, nem ao consumo animal. Claro que se deve usar com racionalidade, de acordo. Mas, se nada mais se fizer, trocar as colheres de plástico por colheres de madeira a única coisa que vai fazer é que em vez de ter o oceano inundado de plástico passará a ser de madeira e ainda por cima acabará com as árvores. Trocar sacos por folhas de bananeira... e até quando duram as folhas de bananeira?

Não é o plástico o inimigo. O lixo não vai parar ao mar sozinho, nem às nossas ruas, nem aos nosso jardins.

O inimigo somos nós. Nós que consumimos desenfreadamente, nós que atiramos todo lixo ao chão sem respeito nenhum, nós que temos que ter sempre o mais recente modelo de tudo, desde o carro ao telemóvel, ao vestido,... consumimos desenfreadamente tudo aquilo que nem precisamos. E ainda dizemos coisas giras como: Também merecemos, também temos direito!

Ah! e ainda acrescentamos que não é nada disso porque o nosso consumo é insignificante ....

Sim, os mais velhos são responsáveis,... fomos nós, os "velhos" que permitimos tudo isto, que deixámos que os valores se perdessem, que permitimos a valorização do ter e do parecer,... fomos nós sim.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Quem gosta, gosta, quem não gosta,...

Muito se fala em liberdade nos dias que correm. E bem.

Também muito se fala em assertividade . E bem. Mas como em todas as coisas é importante saber do que se fala.

Diz-se com alguma frequência que as palavras não ditas trazem doença e por isto devemos dizer tudo o que pensamos e sentimos. Há mesmo quem diga que não temos nada que nos preocupar se os outros gostam ou não, muitas vezes usando mesmo a expressão: quem gosta, gosta, quem não gosta temos pena!

Pois bem, de facto eu acredito que as palavras não ditas fazem um trabalho imenso em nós e na maioria das vezes não é nada positivo. E sim, eu também acredito e digo que devemos dizer o que pensamos e sentimos, sob pena do "não dito" nos atormentar a mente  e o corpo.

Mas nem toda  a liberdade que temos hoje, nos dá o direito de dizer tudo o que nos apetece da forma que nos apetece sem considerar o respeito que devemos ter pelos outros.

Há quem diga que pessoas assertivas são pessoas diretas. E sim, ser direto é uma das características da comunicação assertiva. Na verdade eu costumo dizer de outra forma mas na essência não estamos a dizer coisas muito diferentes. Eu costumo dizer que  a linguagem assertiva, entre outras coisas, tem por base a transparência da linguagem. Ela é verdadeira, ela é clara, é transparente, sem nada a esconder.

Mas outra característica da assertividade, não menos importante, é o respeito pelo outro, na sua totalidade. O respeito pelos seus sentimentos, pela sua cultura, pela sua história de vida, pelas suas crenças, pelos seus valores,...

Então, sim eu posso, e diria mesmo devo, dizer aquilo que penso e/ou sinto. Mas a título de exemplo isso não me dá o direito de chamar os outros de bestas, burros, incompetentes, ladrões, estafermos,....

Os outros têm o direito de pensar de forma diferente de mim, seja lá sobre que tema for, e não tenho que os ofender por isso.

Podem até estar a fazer coisas que eu ache completamente erradas, mas sou eu que acho,... não quer dizer que seja. Pode até ser que este meu achar se fundamente em artigos, livros, noticias,... que também elas são só a versão do seu autor, seja ele quem for. Ah mas aquela estação é muito credível,... ah mas aquele autor é doutorado,... ah mas é uma organização conhecida no mundo inteiro.... sim,... e... ?  Isso quer dizer que os outros não podem pensar de forma diferente deles?...

Se eu quero ter a liberdade de pensar o que penso de sentir o que sinto e poder manifestar-me sobre isso sem ser ofendido/a, então também tenho que aceitar que os outros façam o mesmo.
Como todos sabemos até é comum dizer-se que a minha liberdade termina onde começa a do outro. 

Talvez também por isso existe o código penal dedica alguns artigos a crimes relacionados com difamação,  injúria, calúnia,...

E, mesmo que hipoteticamente, os outros estejam a fazer algo que seja proibido, que seja crime público, sei lá .... tantos argumentos que usamos para dizer que os outros não tem o direito( e a liberdade) de fazer e dizer o que fazem ou dizem...

Mesmo que isso aconteça, mesmo que os outros estejam a fazer algo que seja proibido, que seja crime público,... eu posso manifestar-me, pedir que não façam,... mas quem sou eu para os ofender, para fazer justiça por mim?

Se falar sem desrespeitar não for suficiente, é minha obrigação informar as autoridades competentes. É para isso que elas existem. É por isso que vivemos numa sociedade livre mas com regras.